quinta-feira, 3 de julho de 2014

Verdades e mentiras (Vérités et mensonges)



Sempre existiram o trapaceiro, farsante, o impostor, o charlatão e o espertalhão em todas as atividades humana. Artistas, jornalistas, professores, intelectuais, políticos, religiosos, ativistas... há trambiqueiros em todos os lugares. Mas a novidade do final do século 20 foi a presença dos chamados “especialistas”, que sustentam, às vezes involuntariamente, a fama dos vigaristas.

Orson Wells fala sobre isso no magistral documentário F for Fake. “Os especialistas. Os auto-intitulados "experts". Especialistas são os novos oráculos. Embora pretensiosos, Eles falam conosco com a absoluta autoridade de um computador. Fingem saber profundamente algo que só entendem muito superficialmente. E nos curvamos diante deles. Eles são o presente de Deus para os falsários.”


O documentário discute o mercado de arte, mas é ótimo para estimular reflexões sobre qualquer produto das indústrias culturais. E ajuda também para a análise dos personagens do picadeiro fake da Internet. Recomendo amplamente!

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Verdades e Mentiras (1973)
"Vérités et mensonges" (original title)

 -  Documentary  -  12 March 1975 (France)
7,9
Your rating:
 7/10 
Ratings: 7,9/10 from 7.148 users 
Reviews: 41 user | 60 critic
A documentary about fraud and fakery.

Director:

 

Writer:

 

domingo, 27 de abril de 2014

Xi you (2014)



Belíssimo documentário zen, que faz refletir sobre a velocidade superficial e a lentidão profunda. Há múltiplos ritmos para a vida e para a humanidade. O  filme é simples: um monge caminha de forma ultravagarosa pelas ruas de Marselha. Mas o contraste impressiona muito. Possivelmente, a impaciência é um dos vícios mais desastrosos do ocidente. Prisioneiros dos compromissos ou dos passatempos, a pessoas perdem a oportunidade única de sentir a experiência de estar vivo. Esse filme exercita a paciência e discute a ânsia por desperdiçar a vida na luta inútil contra o tempo.



Xi you (2014)





Director:

 


Writers:
(novel), (adaptation) 



sábado, 19 de abril de 2014

O Lobo de Wall Street



Só agora pude ver o Lobo de Wall Street, do Scorsese. Arrasador! É o triunfo absoluto do cinismo e da selvageria do mercado financeiro. O filme narra uma quadrilha de corretores que assaltam patrimônios inteiros com sorrisos, apertos de mão e a assinatura da vítima no contrato. É genial perceber que eles não se sentem bandidos. Eles são amigos afetuosos entre si. Ajudam uns aos outros e se chegam a se ver como filantropos. Tal como uma turba de crianças sádicas e incontroláveis, eles aprenderam as regras do jogo e optaram por devorar em vez de serem devorados. Um por todos, todos por um, e todos os demais que não estão conosco são estúpidos.

Como o filme é grande, há muitos temas essenciais. Mas um dos mais relevantes, para mim, foi o momento em que Jordan Belfort é criticado duramente pela imprensa, em um artigo demolidor. Mas em vez de ser hostilizado pelos colegas, a partir de então vira uma estrela e passa a ser cultuado por uma geração de yuppies que não só admitem o seu cinismo como o admiram. Ou seja, não importa se você aparece na Forbes como um herói ou como um canalha, desde que você apareça.


Scorsese em ótima forma!