Só agora pude ver o Lobo de Wall Street, do Scorsese.
Arrasador! É o triunfo absoluto do cinismo e da selvageria do mercado financeiro.
O filme narra uma quadrilha de corretores que assaltam patrimônios inteiros com
sorrisos, apertos de mão e a assinatura da vítima no contrato. É genial perceber
que eles não se sentem bandidos. Eles são amigos afetuosos entre si. Ajudam uns
aos outros e se chegam a se ver como filantropos. Tal como uma turba de crianças
sádicas e incontroláveis, eles aprenderam as regras do jogo e optaram por
devorar em vez de serem devorados. Um por todos, todos por um, e todos os
demais que não estão conosco são estúpidos.
Como o filme é grande, há muitos temas essenciais. Mas um
dos mais relevantes, para mim, foi o momento em que Jordan Belfort é criticado
duramente pela imprensa, em um artigo demolidor. Mas em vez de ser hostilizado
pelos colegas, a partir de então vira uma estrela e passa a ser cultuado por
uma geração de yuppies que não só admitem o seu cinismo como o admiram. Ou
seja, não importa se você aparece na Forbes como um herói ou como um canalha,
desde que você apareça.
Scorsese em ótima forma!
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